quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Quando eles vão embora

Desde que nascem
Os filhos precisam da gente
Desde atravessar a rua
Até arrancar um dente

Doamo-nos para eles
Damos amor e carinho
Um dia o filho cresce
E segue seu rumo sozinho

Hoje se arrumam sozinhos
E amarram os próprios sapatos
Agora percebemos que eles cresceram
E temos que aceitar os fatos

Hoje já não temos mais
Aquela casa agitada
Onde o filho chega chorando
Depois de uma pancada

O vazio não é só em casa
Também consome o coração
Depois de anos cuidando deles
Hoje estamos na solidão.

Eder Santos

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

"Cachorro também é gente"

Cachorros também riem
Cachorros também choram
Cachorros também se irritam
Cachorros também imploram

Assim como o ser humano
Cachorros têm sentimentos
Cachorros sentem frio
Quando passam os ventos

Cachorros precisam de amor
Carinho e atenção
Cachorros também têm algo
Chamado coração

Cachorros ficam doentes
Cachorros podem morrer
Cachorros sentem dor
Cachorros podem sofrer

Assim como o ser humano
Cachorros precisam de liberdade
Assim como o bicho homem
Cachorro tem direito à felicidade

Eder Santos

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Cosmo de Pitágoras

Para resolver um problema
Usamos a fórmula de Bháskara
Mas às vezes o problema
É maior do que aparenta sua máscara.

Entre sistemas e funções
Porcentagens e equações
Ficamos loucos à procura
Das suas tantas soluções

Resolvendo polinômios
Raízes e complexos
Ficamos ainda mais loucos
Quando os assuntos são conexos

Entre razões e proporções
Usamos a regra de três
Mas se esses não resolvem
Podem tentar outra vez

Também tem as relações
E a famosa geometria
Se dividir alguns no meio
Tem uma bela simetria

Entre os números inteiros
Tem o zero e uns positivos
Mas não vamos esquecer
Que também têm os negativos

Não podemos esquecer
Dos racionais e irracionais
Que também estão incluídos
Dentro dos números reais

Ouvimos toda hora
A tal da probabilidade
E também da diferença
E às vezes a igualdade

Logaritmos, sequências
Matrizes, determinantes
É um bicho-de-sete-cabeças
Para os pobres estudantes

Também aprendemos na escola
Os tais dos números inversos
Assim termino a poesia
Com exatos quarenta versos.

Eder Santos

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Lampejo

De repente
Me surge um lampejo
E eu escrevo
O que eu vejo

O que escrevo
Já vejo de cedo
E o que ainda não veio
Eu já sinto medo

Só escrevo
O que percebo
E muito eu vejo...
Não fumo e não bebo

Minha alma
Eu já te concedo
Pois o que vejo
Eu já vejo com medo

Só espero
Com muito anseio
Pela salvação
Que há uns anos já veio.

Eder Santos

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Conexos

Como as ondas, como o mar
Como os pássaros, como o céu
Como o café, como o leite
Como a doçura, como o mel

Como o mar, como a Terra
Como o fogo, como o Sol
Como a vida, como a água
Como o cais, como o farol

Como o reggae, Bob Marley
Como o avião, Santos Dumont
Como o Rock, Chuck Berry
Como a luxúria, Babylon

Como MPB, Bossa Nova
Como “Você” ao velho Tim
Como Jazz, como Blues
Como Luiza a Tom Jobim

Como nada, como tudo
Como o homem, como a mulher
Como todas as coisas
Como tudo que você quiser

Eder Santos

Desculpe a demora pessoal. Estava sem tempo para atualizar o blog. =(

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A Passagem

O tempo passa
Passam-se as estações
Passam carros, passam motos
Passam os caminhões

Passam rostos, passam vozes
Tudo passa e ninguém vê
Passam cores, passam pássaros
Passa tudo até morrer

As coisas vão passando
Vão passando muito rápido
Tudo está passando
Cada vez mais ávido

A vida é um trem
Onde nós somos passageiros
Cada um em uma estação...
Os sinais são mensageiros

Quando o trem sair dos trilhos
Tudo isso irá passar
A passagem passará
E será tempo de recomeçar

Eder Santos

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Aquário

Todo homo erectus
Tem o seu errado por certo
E nesse seu cosmo
Acha-se o mais esperto

Talvez seu certo
Seja certo para tu
Por não ver outro universo
Isso se torna seu tabu.

Seu aquário é seu paradigma
E de dentro dele ele não sai
E defende seu tabu
Como um impetuoso samurai

Se de dentro desse aquário
O mar ele conseguir ver
Ele pode relutar
Mas vai ter que se render

Se render ao seu tamanho
Que de longe já é extenso
E de perto faltam vocábulos
De tanto que ele é intenso.

Eder Santos

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A Teia e A Linha

O homem não é tudo
Mas também não é nada
É por se achar tudo
Que hoje tudo pode virar nada

O homem se acha superior
Apenas por ter raciocínio
Mas é toda essa capacidade
Que causou esse latrocínio

Não somos a teia
Sim, somente a linha
Por se achar teia
É que o “tudo” definha

Essa busca pela opulência
É o limiar da destruição
Em seu cosmo egoísta
O homem devasta a amplidão.

A natura está morrendo
E o homem junto por consequência
Tudo isso pela ignorância
E a busca incessante da opulência

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Herança da Bahia

Nossa herança cultural
Está em todas as partes
Na comida, nas construções
E nas mais belas artes

A cultura da Bahia
Vem da mistura de três povos
O europeu, o índio e o negro
Mas não é só isso, abram os olhos

A mistura de vários povos
É o que a faz tão diversificada
Com as casas do Pelourinho
A capoeira e a cocada

O hip-hop é um exemplo
De uma cultura incrementada
Chamada de subcultura
Aos poucos vai sendo adaptada

O futebol também é algo
Muito forte em nossa história
Com a grande e eterna rixa
Entre o Bahia e o Vitória

Eder Santos

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Luana


Resumir em uma poesia
Três anos com essa menina...
É uma tarefa difícil
Que só a convivência ensina

Das muitas pessoas
Que conheci nesta vida
Luana é uma daquelas
que não passa despercebida

Uma garota diferente
Responsável e dedicada
São os adjetivos dessa moça
Que encontrei em minha jornada

Nunca esquecerei os risos
E os momentos complicados
Compartilhados com essa amiga
Que esteve sempre do meu lado

Não sei mais o que escrever
Só posso dizer que sentirei saudade
Do seu jeito, dos conselhos
E da sua sinceridade

Poesia dedicada a uma pessoa ímpar que faz parte da minha vida. Uma grande amiga que encontrei no meu trajeto.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Afroprof (Prof. Aline)

Conquistou a todos nós
Com o teu jeito extrovertido.
Cada minuto de literatura
Ficou muito mais divertido

Outra professora como você
Não sei se vou encontrar,
Mas pode ter certeza
Que meu coração virou teu lar

Continue persistindo
Seja uma afro-resistente.
Quando alguém te disser que o céu é o limite,
Pode ter certeza que essa pessoa mente

O brilho que emana de você
Ultrapassa o infinito da escuridão.
Saiba que o teu brilho
Estará sempre intenso no meu coração.

Aonde você for
Será sempre bem recebida,
Mas nunca se esqueça
Que você será sempre a nossa professora querida.

Eder Santos

Poesia dedicada a umas das melhores professoras que já tive (na verdade não só boa professora, como também uma ótima pessoa). Coloco este poema no blog também como agradecimento pelo incentivo que recebi dela que sempre acreditou no meu talento.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Vendo O Mundo de Baixo

Um barquinho
À beira-mar
Brincadeiras
Até cansar

O mundo para a criança
É um mistério a desvendar
Em sua cabeça cria coisas
Para poder brincar

Para a criança o mundo é simples
Não tem muitas confusões
Já para o adulto tudo é difícil
Cheio de complicações

Um barquinho
À beira-mar
Brincadeiras
Até cansar

Nos desenhos animados
O bem sempre vence o mal
Infelizmente no mundo adulto
Sabemos que isso não é real

Pobre menino inocente
Que não sabe o que te espera
Mentiras, desilusões
E muito mais nessa esfera

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Amigos

Amigos são irmãos
Que se escolhe durante a vida
Estão na casa, nas festas
Ou no momento de despedida

A amizade verdadeira
É como um diamante
Forte, valioso
E também muito brilhante

Um amigo de verdade
Às vezes fala o que não se quer ouvir
Mesmo que doa dizer
Diz para nos fazer refletir

Tem momentos na vida
Que o amigo não deve estar ao lado
E esses momentos sem o amigo
É quando se faz algo de errado

A amizade quando é forte
Não se desfaz com o tempo
Pode passar por distância
Ou qualquer outro contratempo

Eder Santos

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Adotar

O Sol bateu na cara
O dia amanheceu
Parecia mais um dia
Mas foi nele que ocorreu

Acordei, fiz tudo igual
Saí para trabalhar
De repente algo acontece
Não sei nem como explicar

Uma criança abandonada
Me pede um trocado
Fiquei pensando que pais são esses
Que deixam um menor assim largado

Dei o trocado e segui meu dia
Pensativo sobre o ocorrido
Foi aí que pensei
Vou adotar um menor, estou decidido

Tantos casais querem um filho
E tantos filhos querem ter pais
Se juntassem esses quereres
Teriam novas histórias, novos finais

Eder Santos

Nesta poesia, tentei imaginar como é que algumas pessoas decidem adotar uma criança. Comigo não aconteceu bem isso, mas eu também penso em futuramente adotar.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Imaginúsica

O que alimenta a arte
É a imaginação
Que nos faz enxergar no escuro
E nos traz inspiração

A arte por si só
É como a nota Dó
Que sozinha não é nada
Precisa da nota Sol

Na verdade não é só Sol
Também tem a nota Fá
Ou se você preferir
Encaixe a nota Lá

Um conjunto de acordes
Forma uma bela harmonia
Muitas vezes uma boa música
Era uma simples poesia

Não sei se esta aqui
Irá se tornar canção
Mas foi o que consegui fazer
Com a minha imaginação

Eder Santos

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Meus Olhos

Os meus olhos estão cansados
De ver esta realidade
De ver tanta gente morta
De ver tanta barbaridade

Os meus olhos querem ver
A solução para esse país
Os meus olhos querem ver
Um povo mais feliz

Eu quero ver
Nossas crianças nas escolas
Nossos jovens trabalhando
E homens bem longe das drogas

Eu quero ver
Nosso país indo pra frente
Saúde e segurança
E uma estrutura inteligente

Não quero ver
Pessoas comendo lixo
Criança sem um caderno
E vivendo feito bicho

Eder Santos

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O Poder da Melanina

O que difere um ser de outro?
Um pouco de melanina?
O que tanto faz sofrer
Um garoto ou uma menina?

O preconceito é algo sem sentido
Que corrói o coração
Então deixe de lado o racismo
E abrace seu irmão

O negro ou o branco
É coisa da colonização
Na verdade o que existe hoje
é uma miscigenação

A pele não importa
O que importa é a cabeça
Conheça sua história
E dela nunca se esqueça

Um pouco mais ou um pouco menos
De uma simples proteína
É o que separa para o racista
A vilã da heroína

Eder Santos

Observação: O último verso da poesia se refere a heroína (feminino de herói). Não tem nada haver com a droga ilícita. Fiz esta observação porque alguns dos meus colegas já leram e aconteceu de algumas dessas pessoas ficarem confusas quanto a isso.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A Máscara da Corrente

A ditadura ainda existe
Só que escondida sob máscaras
Que limita o senso crítico
E não nos deixam mostrar nossas caras

A grandeza da imprensa
Muitas vezes aliena nossa liberdade
Vendendo o capitalismo
E as futilidades da sociedade

O espírito revolucionário
Aos poucos vai sendo apagado
Pela ignorância das pessoas
Que provém de um ensino mal-qualificado

Os homens do poder
Não se interessam pela nossa educação
Pois se houver mais cidadãos críticos
Não haverá alienação.

Heróis como Cazuza,
Raul Seixas e Caetano Veloso
Mostraram através da arte
Que podemos construir um mundo maravilhoso

Eder Santos

sábado, 27 de agosto de 2011

Bem-Vindos

Oi leitor!

Neste blog irei postar poesias abordando assuntos diversos, como: Política, pobreza, violência, preconceito, amor, etc.

Algumas das minhas poesias (geralmente as de cunho romântica, sejam elas alegres ou melancólicas) são de situações que eu nunca passei, mas imagino como a pessoa que passou por aquilo se sente. Deixando claro que na maioria das vezes não me coloco no lugar da pessoa propriamente dito. Apenas tento pensar como ela pensa. Peguei um pouco disso depois que conheci o trabalho do poeta Fernando Pessoa.

Irei postar uma poesia por semana e ficarei muito agradecido se vocês comentarem. Elogios e críticas serão bem recebidos. Até porque através das críticas poderei rever conceitos e evoluir tanto como poeta e compositor, quanto como pessoa.